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quinta-feira, 7 de abril de 2016

Impacto da atividade física e esportes sobre o crescimento e puberdade de crianças e adolescentes


Crésio Alves1, Renata Villas Boas Lima2

Instituição: Serviço de Endocrinologia Pediátrica do Hospital Universitário Professor Edgard Santos (Upes) da Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Salvador, BA, Brasil

1Doutor, professor de Pediatria, coordenador da Residência Médica em Endocrinologia Pediátrica do Hospital Upes da Faculdade de Medicina da UFBA, Salvador, Bahia, Brasil 2Médica residente em Endocrinologia Pediátrica no Hospital Upes da Faculdade de Medicina da UFBA, Salvador, Bahia, Brasil

Objetivo: Apresentar revisão atualizada e crítica sobre o impacto do esporte e da atividade física no crescimento, desenvolvimento puberal e mineralização óssea de crianças e adolescentes.

Vários estudos com crianças e adolescentes têm demonstrado o benefício da atividade física no estímulo ao crescimento e desenvolvimento, prevenção da obesidade, incremento da massa óssea, aumento da sensibilidade à insulina, melhora do perfil lipídico, diminuição da pressão arterial, desenvolvimento da socialização e da capacidade de trabalhar em equipe. Também é conhecido o fato de que a atividade física realizada de forma imprópria, em desacordo com a idade, com o desenvolvimento motor e com o estado de saúde, apresenta riscos de lesões como: trauma, osteocondrose, fratura e disfunção menstrual.

Os mecanismos de carga impostos pelos exercícios aumentam a densidade mineral óssea independentemente do sexo e da idade de quem os pratica(9). Porém, o exercício físico realizado próximo ao pico máximo da velocidade de crescimento, ou seja, no início da puberdade, é mais efetivo para potencializar o ganho de massa óssea(1,9). Os efeitos osteogênicos dos exercícios dependem ainda da magnitude da carga e da freqüência de aplicação que, quando repetidas, resultam em hipertrofia óssea(9). Dessa forma, atividade física regular durante a infância e adolescência pode atuar na prevenção de distúrbios ósseos, como a osteoporose. O treinamento de força com impacto (por exemplo, corrida, ginástica, dança, basquetebol, atletismo) proporciona maior incremento da densidade mineral óssea comparado ao de resistência aeróbica, como ocorre na natação e no pólo aquático. Ambos os tipos de treinamento promovem aumento da densidade mineral óssea em comparação à não realização de qualquer uma dessas atividades.

Enquanto a atividade física moderada estimula o desenvolvimento ósseo, o atraso puberal resultante do treinamento físico vigoroso pode comprometer a aquisição da massa óssea ideal. Em adolescentes do sexo feminino, o excesso de exercício pode causar hipoestrogenismo, com redução do ganho de massa óssea, o que pode ser, em casos graves, irreversível a despeito do retorno da menstruação, da reposição estrogênica e da suplementação com cálcio. A redução da densidade mineral óssea também pode ser observada em adolescentes do sexo masculino submetidos à atividade física extenuante. A menor densidade mineral óssea aumenta o risco de fraturas de estresse e de instabilidade da coluna vertebral, com desenvolvimento de escoliose.

Os efeitos benéficos da atividade física são evidenciados nos mais variados órgãos e sistemas: cardiovascular (aumento do consumo de oxigênio, manutenção de boa freqüência cardíaca e volume de ejeção), respiratório (aumento dos parâmetros ventilatórios funcionais), muscular (aumento de massa, força e resistência), esquelético (aumento do conteúdo de cálcio e mineralização óssea), cartilaginoso (aumento da espessura da cartilagem, com maior proteção articular) e endócrino (aumento da sensibilidade insulínica, melhora do perfil lipídico).

Recomendações para a prática esportiva saudável de crianças e adolescentes
Encorajar crianças a participar de esportes consistentes com suas habilidades e interesses
Orientar atividade física apropriada para crianças e adolescentes com necessidades especiais ou limitações
Acompanhar crescimento (peso, altura) e evolução do desenvolvimento puberal
Assegurar dieta balanceada com aporte calórico, de cálcio e de ferro adequados Prover condições de exercício seguras Ficar atento para complicações físicas (tendinites, apofisites) e emocionais (transtornos alimentares, distúrbios do sono, ansiedade)
Aumentar o tempo de recuperação quando realizar atividades físicas de carga elevada Priorizar as atividades aeróbicas em lugar das anaeróbicas
Evitar situações nas quais sejam necessárias apnéias prolongadas (mergulho, halterofilismo) No treinamento de força, evitar cargas elevadas sobre a coluna
Nas atividades que exijam alta coordenação motora, ter em mente o desenvolvimento psicomotor da criança
Priorizar movimentos e habilidades naturais no lugar de exercícios elaborados

Considerações finais
A atividade física leve a moderada tem efeito benéfico sobre o crescimento estatural e o desenvolvimento ósseo, enquanto a atividade física intensa atenua o crescimento, podendo causar atraso puberal e diminuição da mineralização esquelética. Diferentes modalidades esportivas não têm efeitos específicos no sentido de aumentar ou diminuir a altura final. O que ocorre é um viés de seleção no qual crianças com baixa estatura são recrutadas para alguns esportes (ginástica olímpica) e as de alta estatura para outros (basquete) em função do um possível melhor desempenho na atividade. Embora seja um tema controverso, a prática de musculação por crianças pré-púberes não é recomendada, a não ser sob supervisão especializada. Como não é possível saber se pais, técnicos e professores podem supervisioná-los, a musculação, embora permitida, deve ser recomendada com cautela para pré-adolescentes. As demais atividades físicas aeróbicas serão indicadas a depender da idade, sexo, estágio puberal e estado de saúde da criança.

trabalho na integra em - http://www.scielo.br/pdf/rpp/v26n4/a13v26n4.pdf


segunda-feira, 7 de março de 2016

Abordagem à Criança Vítima de Trauma


Sulim Abramovici *, Renata Waksman ** * Supervisor do Projeto Socorro Pediátrico do Hospital Santa Marcelina ** Pediatra do Hospital Israelita Albert Einstein ** Membro do Departamento Cientifico de Segurança da Criança e do Adolescente da SBP

 
I - INTRODUÇÃO
Trauma e a doenca do seculo XX e pode ser classificada corretamente como uma epidemia que, se não forem tomadas medidas eficazes para um programa nacional de prevenção, devera se transformar em uma tragédia mais intensa no inicio do novo milênio. As causas externas (acidentes e violências) representam em nosso pais, a principal causa de morte nas crianças e adolescentes na faixa etária de 5 a 19 anos. Contribuem com 57% do total de mortalidade na faixa de O a 19 anos, segundo dados do Ministério da Saúde de 1995, publicados em 1998, sendo que os acidentes de transporte representaram 30% deste total. A região sudeste do pais contribui com o maior numero de mortos devidos a estas causa, seguida da região nordeste. Os principais traumas que levam a morte em nosso pais são os atropelamentos, quedas, afogamentos etc., mas as violências (homicidios, suicidio) na faixa da adolescência assumem importante papel, sobrepondo-se as demais causas. Infelizmente muitas dessas crianças apresentam traumatismo craniano, a despeito de leis recentes que tomam obrigatorio o uso de cintos de seguranca nos automoveis e das campanhas de prevenção de acidentes. As quedas são outra causa comum de traumatismo na infancia e, em geral, ocorrem em criancas menores. A vitimização e outro problema significative que exige atenção dos pediatras que atendem criancas acidentadas no ambiente domestico. O impressionante aumento de crimes violentos nas grandes cidades resultou em um aumento do numero de traumatismos penetrantes em criancas. Atualmente sete em cada dez adolescentes, morrem por causas extemas. A morte por trauma apresenta uma distribuição trimodal: quando o indice de mortalidade e plotado em função do tempo apos lesão, aparecem tres picos:
Primeiro pico - Mortes imediatas que ocorrem na primeira hora e invariavelmente são causadas por lacerações do cerebro, tronco cerebral, medula espinal, coração e grandes vasos.
Segundo pico - Mortes precoces que ocorrem nas primeiras 4 horas e são geralmente causadas por hemorragia intensa resultante das lesões no sistema respiratorio, orgãos abdominais e sistema nervoso central. Quase todas as lesões deste grupo são consideradas trataveis pelos procedimentos medicos disponiveis atualmente. O intervalo entre a lesão e o terapeutico definitive e critico para a recuperação.
Terceiro pico - Mortes tardias representam as pessoas que morrem dias ou semanas apos o trauma. Em quase 80% dos casos, a morte e causada por infecção ou falencia de multiples orgãos.
A regionalização e hierarquização do atendimento medico, associadas a criação de Centros de Trauma são de importancia vital para a redução da morbidade e mortalidade, representando a melhor forma de oferecer tratamento continuo desde o evento ate a reabilitação. No Brasil, com frequencia os principals procedimentos que deveriam ser prestados nos hospitals encaminhadores não foram realizados, como por exempio, intubaâo, venoclise, expansão de volume, drenagem de torax, imobilização de fraturas, tratamento de ferimento e acompanhamento medico. As criancas que morrem logo apos o acidente, tern como principais mecanismos de morte: comprometimento das vias aereas, cheque hipovolemico e lesão do sistema nervoso central. A abordagem das vias aereas e o componente mats critico da reanimação inicial de uma crianca traumatizada. Para o trauma craniencefalico e de suma importancia a ventilação e oxigenação adequadas para minimizar lesões cerebrais. Os coeficientes indicam a existencia de um numero muito alto de acidentes fatais, cujas caracteristicas evidenciam a necessidade de medidas que evitem que as criancas e adolescentes permanecam tão vulneraveis e tambem deixam patente a necessidade de se tentar melhorar a assistencia as vitimas de trauma. 

II - SUPORTE AVANÇADO DE VIDA
O atendimento inicial da crianca politraumatizada obedece a sequencia "ABCDE", segundo rotina do curso Suporte Avancado de Vida em Pediatria, da American Heart Association. 
A = "airway" = vias aéreas
B = "breathing" = respiração
C = "circulation" = circulação
D = "disability" = avaliação neurológica
E = "exposure" = exposição 
A - VIAS AEREAS
A crianca apresenta diferencas anatomicas quando comparadas ao adulto, que tomam mais dificeis a manutenção das vias aereas permeaveis e a intubação traqueal. 
O estabelecimento de via aerea permeavel com proteção simultanea da coluna cervical e muito dificil na crianca vitima de politraumatismo. As vias aereas são
facilmente obstruidas por corpos estranhos como sangue, muco e fragmentos de dente, e devem ser limpas e aspiradas com cuidado, eventualmente com pincas adequadas. Lesão de coluna cervical e menos comum em crianca, comparandose com os acidentes de adultos, porque a coluna e mais elastica e movel do que a do adulto e as vertebras, menos rigidas, são menos predispostas a fraturas. Apesar disso, o risco e grande, porque as criancas estão sujeitas a maiores forcas inerciais aplicadas ao pescoco durante o processo de aceleração-desaceleração, que ocorre principalmente em acidentes automobilisticos e quedas de altura. O risco aumenta, porque a cabeca da crianca e proporcionalmente maior do que a cabeca do adulto e tern efeito de impulsionar a crianca. Podem ocorrer, então, traumatismo craniano e lesão medular simultaneo. 
A intubação endotraqueal na crianca vftima de politraumatismo pode ser dificil, porque o pescoco deve permanecer em posição neutra e não pode ser hiperestendido durante o procedimento. 
Se a crianca esta adequadamente imobilizada e com colar cervical, a intubação endotraqueal pode ser feita por uma pessoa. Se isso não ocorre, a crianca esta agitada ou se existem duvidas da efetividade da imobilização cervical, uma pessoa deve estabilizar o pescoco e outra deve proceder a intubação. 
Intubação deve sempre ser precedida por ventilação com bolsa-mascara e oxigenação. Se a crianca esta consciente, a administração de bloqueador neuromuscular de ação curta com sedação ou anestesia pode ser necessária, para evitar concomitante aumento de pressão intracraniana. 
Em criancas vitimas de traumatismo, a cricotireoidotomia pode ser necessária na presenca de traumatismo facial grave ou em pacientes com lesão mstavel de coluna cervical. A via aerea deve ser mantida totalmente permeavel, enquanto a coluna cervical e imobilizada em posição neutra. Tração e movimento do pescoco devem ser evitados apos manutenção da via aerea e estabilização da coluna cervical. Um colar semi-rigido deve ser aplicado. As indicacões para intubação endotraqueal da crianca vitima de politraumatismo são: 
- Parada respiratoria  - - Falência respiratoria (hipoventilação, hipoxemia arterial apesar da suplementação de oxigênio e acidose respiratoria)  - Obstrução de vias aereas  - Escala de coma de Glasgow menor ou igual a 8 
Necessidade de suporte ventilatorio prolongado (lesões torácicas ou necessidade de exames diagnósticos). 
B - RESPIRAÇÃO
A efetividade da ventilação e oxigenação deve ser continuamente avaliada, observando-se expansibilidade simetrica e ausencia de cianose. 
A crianca traumatizada deve receber oxigenação suplementar na maior concentração possivel por meio de mascara. Se a respiração não for eficaz instituir ventilação assistida com bolsa-mascara com reservatorio para oferecer oxigênio a 100%. Essa assistencia deve eventualmente ser seguida por intubação endotraqueal. A ventilação da crianca pode estar comprometida por distensão gastrica, diminuindo a mobilidade do diafragma e aumentando o risco de vomitos e aspiração. Uma sonda naso ou orogastrica deve ser introduzida tão logo seja controlada a ventilação. 
C - CIRCULAÇÃO
A manutenção da circulação em criancas vitimas de trauma requer: controle de hemorragias extemas, suporte da função cardiovascular e perfusão sistemica, restauração e manutenção de volume sanguineo adequado. 
Intervenção cirurgica pode ser necessária para resolução de hemorragias intemas, o controle de hemorragias extemas pode ser feito com aplicação de compressas sob pressão diretamente sobre os ferimentos. 
A falta de diagnostico e tratamento de sangramentos mtemos e a principal causa da morte passivel de ser evitada em crianca politraumatizada. 
Sinais de cheque podem ser observados imediatamente ou podem evoluir lentamente seguindo ao traumatismo. Se a hemorragia aguda excede a 15% do volume sanguineo, sinais de falencia circulatoria (taquicardia, diminuição dos pulsos perifericos, aumento do tempo de enchimento capilar e extremidades frias) serão observados. 
Hipotensão não ocorre antes da perda aguda de 25 a 30% ou mais do volume sanguineo. Portanto, observação cuidadosa da perfusão e necessária continuamente e reanimação deve ser iniciada se houver comprometimento na perfusão sistemica. 
Acesso vascular deve ser providenciado rápidamente na crianca politraumatizada. Dots cateteres de grosso calibre devem ser colocados preferencialmente em membros superiores. 
A via intra-ossea e uma forma de acesso vascular em criancas menores de 6 anos, se uma via venosa não pode ser obtida rápidamente. 
Se essas tentativas não forem conseguidas com sucesso, a passagem percutanea de cateteres atraves de veia femoral, subclavia ou jugular, ou a dissecção, devem ser realizadas de acordo com a experiencia da equipe no atendimento. 
Se a perfusão sistemica e inadequada, mas a pressão sangiiinea e normal (cheque compensado), esta ocorrendo hipovolemia leve a moderada. A conduta e
reposição de volume com bolus de 20ml/kg de solução cristaloide (soro fisiologico ou Ringer lactato). Repetição de bolus de 20ml/kg pode ser necessária, se não houver melhora da perfusão. 
Se sinais de cheque persistem apos infusão de dois bolus de solução cristaloide, deve-se indicar transfusão de sangue. 
A presenca de hipotensão (cheque descompensado) indica a perda de 25 a 30% ou mats de volume, com necessidade de reposição de sangue. 
Transfusão urgente tambem e necessária se a crianca não responde a administração de 50ml/kg de solução cristaloide isotonica, podendo ser indicada intervenção cirurgica. 
Sangue deve ser administrado em bolus de lOml/kg de concentrado de hemacias altemados com solução fisiologica a temperatura do corpo. Tambem podem ser administrados bolus de 20ml/kg de sangue total, ate melhora da perfusão sistemica. Se o cheque persiste, apesar do controle de hemorragias extemas e da reposição de volume, e provavel a existencia de hemorragias intemas. 
D - AVALIAÇÃO NEUROLOGICA
Deve-se fazer um exame sumario das pupilas quanto ao tamanho, simetria e resposta a luz. O nivel de consciencia e avaliado atraves da correlação com a escala de coma de Glasgow. Indices iguais ou menores que 8 estão relacionados com mortalidade de 40% e sequelas neurologicas graves. 
E - EXPOSIÇÃO
A retirada da roupa e essencial para permitir um exame completo de todos os segmentos corporeos e facilitar a realização dos procedimentos. 
A crianca, principalmente o lactente, sofre rápida perda de calor por ter uma maior superficie corporea em relação ao peso, exigindo a monitorização da temperatura. A queda da temperatura leva ao aumento do consume do oxigênio e vasoconstrição periferica. Temperatura ambiente adequada e utilização de calor radiante ou cobertores eletricos são importantes durante o atendimento.
 
III - TRANSPORTE DA CRIANÇA POLITRAUMATIZADA
O objetivo basico do service de transporte e fomecer atendimento medico adequado, dentro do menor tempo possivel, respeitando as condicões de seguranca, assegurar a permeabilidade das vias aereas, acesso venoso apropriado, monitorizar parametros vitais e evitar deterioração clinica do paciente. Portanto deve estar capacitado a reanimar, estabilizar, transportar e preparar o paciente para o tratamento defmitivo. 
Iniciar o atendimento no local do acidente e colocar a vitima em condicões de receber o tratamento definitive e a premissa para reduzir a morbidade e mortalidade dos politraumatizados. Nas criancas, cerca de 40% das mortes que ocorrem no periodo entre o acidente e sua chegada ao hospital, apresentam causas trataveis. Estas mortes seriam evitadas com uma atuação em tempo habil e com particular enfase ãos cuidados com as vias aereas e controle da hemorragia em nivel pre-hospitalar. 
O transporte de pacientes de emergencia e classificado em resgate e remoção inter-hospitalar. O resgate refere-se ao atendimento no local do acidente e o encaminhamento para o hospital, A remoção destina-se as criancas atendidas em hospitals primaries e apos sua avaliação inicial se faz necessária sua transferencia para um hospital terciario, a fim de receber o tratamento definitivo. 

BIBLIOGRAFIA
1. American College of Surgeons. The Committee on Trauma: Advanced Trauma Life Support Course. Chicago, American College of Surgeons, 1993 
2. Birolini, D. Trauma: uma epidemia esquecida ou o Brasil nos tempos do trauma. Rev Ass Med Bras, 1991;37(2):53-54. 
3. Campos, J. A.; Oliveira, J. S. Acidentes na infância in Lima A. - Pediatria essencial - 4a. edição, Editora Atheneu. 1992; 76:715-726. 
4. Cramer, CK; Kingma, J et al. The pediatric polytrauma patient. Clin Orthop Relat Res 1995:318: 125-129 
5. Ferreira, AVS e Abramovici, S Crianca espancada. In: A crianca politraumatizada. Troster, EJ, Abramovici, Pinus, J e Stape, A. Ed. Roca, 1994 
6. Inaba, AS e Seward, P.N. An approach to pediatric trauma: unique anatomic and pathophysiologic aspects of the pediatric patient. Emer Med Clin North Amer, 1991, 9(3):523-548. 
7. Li, G, Tang, N et al. Cardiopulmonary ressuscitation in pediatric trauma patients: survival and functional outcome. J Trauma. 1999,47:1-7 
8. Mello Jorge, MHP. Como morrem os nossos jovens. In: CNPD, jovens acontecendo na trilha das politicas publicas. Brasilia, 1998. 
9. Pediatric Advanced Life Support. American Heart Association, Dallas, 1997 
10. Rivara FP e Aitken M. Prevention of injuries to children and adolescents. Advances in Pediatrics. 1998; 45:37-72 
11. Souza RL e Fonseca MCM. Politraumatizado. In: Emergencia e terapia intensiva pediatrica.Carvalho W, Souza N, Souza RL. Atheneu, SP, 1997; 561-72. 
12. Utiyama, E.M. e Schvartsman, C. Transporte da crianca politraumatizada. In: A crianca politraumatizada. Troster, EJ, Abramovici, S Pinus, J e Stape, A. Ed. Roca, 1994 
13. Waksman, RD. Caracteristicas epidemiologicas dos acidentes fatais de transporte em menores de quinze anos. Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, 1995 [tese de doutorado]. 

Documento Científico do Departamento de Segurança da Criança e do Adolescente

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Microcefalia: conceito, causas, sintomas, diagnóstico, tratamento, prevenções, possíveis complicações

O que é microcefalia1?
A microcefalia1 (do grego: mikrós=pequeno; kephalé=cabeça2) é uma condição neurológica rara na qual a cabeça2 do feto3 ou da criança é significativamente menor do que a de outros fetos ou crianças do mesmo estágio de desenvolvimento ou do mesmo sexo e idade.
Quais são as causas da microcefalia1?
A microcefalia1 pode ser causada por vários fatores genéticos e adquiridos. É o resultado do cérebro não crescer o suficiente durante a gestação ou após o nascimento. Em geral, a microcefalia1 só é detectada no momento do nascimento, mas usualmente resulta de uma anormalidade do desenvolvimento do cérebro ainda no útero4 ou é precocemente adquirida na infância. Outras causas podem incluir a fusão prematura das suturas5 entre os ossos do crânio6 da criança, anormalidades cromossômicas, como a síndrome de Down7 por exemplo, anóxia8 cerebral (decréscimo do oxigênio no cérebro fetal), infecções9 do feto3 durante a gestação, exposição a substâncias prejudiciais durante o desenvolvimento fetal, desnutrição10 severa e fenilcetonúria11 não controlada.
Quais são os principais sinais12 e sintomas13 da microcefalia1?
O sintoma14 mais típico da microcefalia1 é o tamanho da cabeça2 significantemente menor que o da cabeça2 de crianças do mesmo sexo e idade. A microcefalia1 primária provoca hipertonia15 muscular generalizada, paralisia16, crises convulsivas e atraso mental.
As manifestações sintomáticas da microcefalia1 secundária dependem do tipo e da gravidade da malformação17. Como as funções cerebrais estão, na grande maioria dos casos, pouco desenvolvidas, esta situação provoca um atraso mental profundo. Caso seja afetado apenas o desenvolvimento de um dos hemisférios cerebrais, ela provoca igualmente um atraso mental, apesar de as perturbações motoras serem unilaterais.
Como o médico diagnostica a microcefalia1?
O tamanho da cabeça2 é medido pela circunferência em torno do seu topo na região mais larga, o chamado perímetro cefálico. Usando padrões bem estabelecidos de crescimento, essas medidas são comparadas ao percentil apurado de crianças normais. Em condições normais, o crânio6, no momento do nascimento, tem um perímetro de aproximadamente 33 a 36 centímetros, aumentando de tamanho ao longo dos primeiros anos de vida eacompanhando o crescimento do encéfalo18. Este crescimento é bastante pronunciado nos primeiros seis meses após o nascimento, entre 7 a 8 centímetros, até alcançar os 46 a 48 centímetros no final do primeiro ano de vida. Nas crianças com microcefalia1, o tamanho ou o crescimento da cabeça2 é significantemente abaixo da média. O médico que atender um paciente com microcefalia1 tomará uma completa história do pré-natal, nascimento e desenvolvimento da criança e deverá fazer um exame físico detalhado que inclua um exame neurológico. Uma história familiar deverá ser conhecida, especialmente a medida da cabeça2 dos pais, para determinar se há histórico de microcefalia1 na família. Exames de tomografia computadorizada19, ressonância magnética20 e testes sanguíneos podem ajudar a determinar as causas subjacentes do problema.
Como o médico trata a microcefalia1?
Como não existe tratamento para a microcefalia1, a ação terapêutica21 se limita aos casos em que a fusão dos ossos cranianos é precocemente detectada, devendo-se realizar uma intervenção cirúrgica, nos primeiros meses de vida, para separar os ossos do crânio6, cortar as extremidades unidas e separar as lâminas ósseas, podendo reduzir as sequelas22.
Exceto pela cirurgia para corrigir essa craniosinostose (fusão das suturas5 entre os ossos do crânio6), não há tratamento que alargue o crânio6, nem que reverta as consequências da microcefalia1. A intervenção precoce pode ajudar a criança a melhorar seu desenvolvimento e sua qualidade de vida, com programas que incluam terapias para a fala e outras terapias físicas e ocupacionais que melhoram as habilidades da criança. Algumas complicações da microcefalia1, como as convulsões ou a hiperatividade, por exemplo, podem ser tratadas com medicações.
Como prevenir a microcefalia1?
Se o casal tiver um filho com microcefalia1 de causa genética, deve consultar um geneticista sobre os riscos de que o problema se repita em futuras gestações.
Quais são as complicações possíveis da microcefalia1?
Algumas crianças com microcefalia1 têm inteligência normal, embora suas cabeças permaneçam pequenas para seu sexo e idade. Mas na dependência da sua causa e severidade, a microcefalia1 pode gerar, entre outras, as seguintes complicações: retardo de alguns aspectos do desenvolvimento, tais como fala e movimentos, dificuldades de coordenação e equilíbrio, pequena estatura, distorções faciais, hiperatividade, retardo mental e convulsões.

ABC.MED.BR, 2015. Microcefalia: conceito, causas, sintomas, diagnóstico, tratamento, prevenções, possíveis complicações. Disponível em: <http://www.abc.med.br/p/sinais.-sintomas-e-doencas/747342/microcefalia-conceito-causas-sintomas-diagnostico-tratamento-prevencoes-possiveis-complicacoes.htm>. Acesso em: 1 fev. 2016.

domingo, 8 de novembro de 2015

Inicio da Marcha na Doença Neurológica na Infancia


Não é incomum os pais procurarem o ortopedista para avaliar uma deformidade nos membros inferiores em uma criança com lesão neurológica. O mais importante é que os pais correlacionam esta deformidade secundaria ao impedimento da marcha na criança.

A primeira medida do médico deve ser orientar a esses pais, que na maioria das vezes essas deformidades são secundárias a lesão neurológica e que a deformidade pode atrapalhar mais não impedir.  Por isso muitas cirurgias são indicadas de forma desnecessária e não trazem nenhum beneficio a criança.

Como assim, perguntam os pais. Nas chamadas Paralisias Cerebrais, onde a lesão ocorre no primeiro neuronio motor,  no cérebro, os encurtamentos tendinosos e as contraturas articulares são secundárias e não adianta simplesmente a correção cirurgica do alongamento, porque a criança necessita também de coordenação, equilibrio e movimentação ativa destes musculos.

Independente da patologia, a criança só vai atingir uma marcha independente quando ocorrer o conjunto de fundamentos citados. Além disso, ainda existem crianças que não se intereessam pela marcha. É importante salientar, que quadris luxados, pés tortos, joelhos flexionados não são indicações primárias de cirurgia e a avaliação global da criança e multidisciplinar se torna fundamental.

Outro grupo frequente nos consultórios são os menores portadores de uma sequela de Mielomeningocele. Essa lesão ocorre no segundo neuronio motor, funciona semelhante a uma lesão traumatica da medula espinhal. Por isso é importante sempre saber o nível de lesão, e dessa forma saber qual grupo muscular funciona, e assim ter um prognóstico futuro da marcha, podendo assim indicar ou não as correções que possam ser necessárias.

O objetivo é uma avaliação inicial cuidadosa e criteriosa da criança, e ter um objetivo real que não fruste os pais. Nem sempre isso é possivel em uma primeira avaliação e muitas vezes o acompanhamento se torna fundamental.

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Botas Ortopédicas - Porque não são mais utilizadas.

Apesar de toda a modernidade na medicina nos dias atuais, ainda é muito frequente o questionamento de pais no consultório sobre as famigeradas botas ortopédicas. Até porque, muitos deles ainda a utilizaram na sua própia infância e supostamente com sucesso.

Então vem a pergunta, por que não utilizar?

A resposta é simples. Porque não tem nenhuma utilidade.

Como assim???

As deformidades ortopédicas mais comuns na infância correspondem a fases que a criança passa. Quero dizer, elas se corrigem de forma expontanea com a ajuda ou sem a ajuda de botas, palmilhas e ou outros aparelhos. Isso soa um pouco radical, mas não existe nenhuma comprovação cientifica que conteste essa afirmação.

É claro que nem toda deformidade é de correção expontanea por isso permanece a necessidade de uma avaliação médica especializada caso seja algo fora do padrão.
Não cabe aqui dizer o que é ou não é normal, o objetivo é de desmitificar o uso dessas botas horrorosas que nos trouxeram muitas mas lembranças.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Dor de Crescimento. Existe sim!



No consultório dos ortopedista pediátrico é comum chegarem crianças , com idade entre 3 e 6 anos, com queixa de dores nas pernas, especialmente à noite ou até mesmo na madrugada . O relato das mães é quase sempre o mesmo: durante o dia a criança brinca normalmente, corre, joga futebol, vai à escola. E à noite surge aquela dor inexplicável, que a criança não consegue nem mesmo dar a localização exata.

Na maior parte das vezes a dor ocorre na face anterior da perna, por isso é chamada pelos americanos de Shin Pain. Mas nem sempre, característica importante é que ã dor ocorre sempre em locais diferentes, um dia na perna direita, outro dia na esquerda, tornozelo, quadril....sem uma localização fixa. Isso é muito importante na decisão de se pesquisar ou não a origem da dor.

Outra característica importante é que essa dor não vem com sinais associados, como edema, vermelhidão e ou calor. Claudicação pode ocorrer mas sempre passageira como a dor noturna.


Não há uma explicação totalmente comprovada da causa dessa dor. Teorias são a fadiga muscular ou a grande atividade de impacto que provoca dor próxima as áreas de crescimento. O perfil da criança normalmente são de crianças uma pouco mais agitadas, mas não existe correlação com a hiperatividade.


O problema pode ter ainda um componente emocional. "A criança realmente sente dor. Não é manha. Mas os fatores psicológicos podem predispor a criança a sentir essa dor". É o caso da entrada ou mudança de escola, ou mesmo o nascimento de um novo irmãozinho.


Normalmente não se faz necessário estabelecer um tratamento para essas dores. "Massagens e compressas quentes são indicadas para aliviar essas dores, assim como a prática de exercícios regulares", lembrando que se a situação for constante e a dor muito intensa, um médico deve ser procurado para aprofundar a investigação e garantir o crescimento saudável da criança.




Surge mais à noite, nas pernas, na região das coxas e panturrilhas. É uma dor difusa, freqüente ou esporádica. As vezes a criança pode acordar com a dor. No outro dia ela está totalmente normal. Além da queixa não existem outros sinais, como febre, edema, perda do apetite, manchas na pele etc.







Alguns acreditam que trata-se de um desequilíbrio no ritmo de crescimento dos ossos, tendões e músculos. Um pode se desenvolver de forma mais acelerada que outro. Quando se igualam, a dor pára. Ou mesmo ser uma dor de fadiga muscular. A atividade mais intensa relaciona-se com a dor. Componentes emocionais podem fazer parte do quadro

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Genu Valgo do Adolescente - Hemiepifisiodese Femural Medial

Deformidade em valgo do joelho, bastante frequente no adolescente  é acompanhado de uma marcha anserína, dificuldade para correr, dor na face anterior do joelho e instabilidade patelo femural. .Nem sempre a avaliação clinica é simples, em muitos casos atuais a obesidade associada nesses pacientes dificulta o exame. O exame detalhado com os membros inferiores desnudos e o correto posicionamento do adolescente é fundamental.

O exame na maca também é importante, tentando determinar o ângulo Q e a Distancia Intermaleolar.

No exame radiológico panorâmico o eixo mecânico do membro inferior é sempre desviado lateralmente. É intuitivo que o grau de deformidade esteja relacionado a gravidade dos sintomas. Por isso vários autores recomendam a hemiepifisiodese distal do femur como forma de tratamento em casos onde a deformidade está acima do esperado para a idade.

Persistente deformidade em valgo é mais do que apenas um problema cosmético. No estudo da marcha em pacientes com genu valgo, a cinética do movimento do joelho, assim como do quadril, é completamente alterado. O mal alinhamento pode provocar lesões ligamentares e cartilaginosas ao longo dos anos.

Os benefícios da normalização do eixo mecânico e do redirecionamento das forças de reação ao solo são normalizadas após a correção da deformidade. Por isso o "time" correto para a realização da cirurgia é essencial. Ao invés de esperar arbritrariamente até o final do crescimento para ver se "um milagre" corrigi a deformidade. Por isso a hemiepifisiodese deve ser indicada durante a fase final de crescimento.


quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Remodelação Óssea na Criança Pós Fratura


Conceitos básicos
Consolidação muito mais rápida que o adulto, e grande capacidade de remodelação.

Predomina o tratamento conservador pelo aparelho gessado.

Trauma esquelético corresponde a 10% - 15% de todas as lesões na criança.

Região anatômica: as fraturas predominam no rádio e, de uma maneira decrescente, úmero, tíbia, clavícula e fêmur.

Traumas em ambiente domiciliar correspondem a cerca de 37% das fraturas, quedas na escola perfazem 20% .


Características do Osso na criança
Mais elástico e resistente a força de torção e angulação.

As lesões na placa de crescimento correspondem a cerca de 15% das lesões esqueléticas na criança.

O periósteo reveste as diáfises, é bastante espesso e responsável pela remodelação do calo primário da fratura.

A consolidação óssea primária se inicia no hematoma fraturário que sofre invasão celular, células cartilaginosas, calcificação e ossificação do tipo endocondral.
 
Remodelação
A capacidade de remodelar um segmento ósseo fraturado é uma propriedade excepcional do esqueleto em crescimento. Quanto menor a criança (abaixo de 10 anos) maior o poder de correção. Conseqüentemente, quanto menor a criança maiores desvios angulares permitidos e aceitos em uma fratura.
As fraturas metafisárias, nas extremidades dos ossos, por estarem próximas a placa de crescimento, remodelam com uma maior facilidade permitindo desvios de até 30°. As diafisárias, no centro do osso, permitem  deslocamentos até 10°.
 

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Pé Torto - Resultado comparativo na Atrofia da Panturrilha entre método de Ponseti e a cirurgia clássica

Calf Circumference Discrepancies in Patients With Unilateral Clubfoot: Ponseti Versus Surgical Release

Fulton, Zachary BS*; Briggs, Dustin MD; Silva, Selina MD; Szalay, Elizabeth A. MD

Abstract
Background: Talipes equinovarus is the most common congenital lower limb abnormality. Decreased calf size has been found to have negative impacts on patients’ subjective appraisals of long-term outcomes. This study compares calf circumference ratios in 2 groups of patients with unilateral clubfoot, those treated according to the Ponseti method and those treated with extensive surgery, to determine whether the current standard of care achieves better anatomic outcomes.
Methods: Patients >1 year after treatment for unilateral clubfoot were recruited during normal follow-up appointments and both calves were measured using a standardized protocol. A questionnaire concerning their treatment history was also completed. Data were analyzed by comparing calf circumference ratios between treatment modalities.
Results: Thirty-five patients with unilateral clubfoot were recruited after satisfying inclusion criteria. Twenty-four (69%) were included in the Ponseti-managed group, and 11 (31%) were in the extensive surgery group. The affected legs were on average 3% to 10% smaller than the control legs across all groups. The surgery group’s average calf ratio was significantly less at 90.8%±3.5% compared with 94.4%±3.3% in the Ponseti group.
Conclusions: The calf circumference of limbs affected by clubfoot is significantly smaller in those treated with extensive surgery as compared with those treated with the Ponseti method alone, with or without percutaneous tenotomy. This supports the Ponseti method as the standard of care for achieving the most favorable anatomic outcome.

Este trabalho conclui que ao final do tratamento, o método de Ponseti é menos danoso a criança que o tratamento cirúrgico convencional no quesito Atrofia de Pantuurrilha.


 

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Joanete / Halux Valgus Juvenil

Halux valgus Juvenil (HVJ) é descrito com uma deformidade em varo do primeiro metatarso associado a desvio em valgo da falange do "dedão" do pé em jovens ainda com crescimento ósseo. Sua incidência, etiologia, fatores de risco e a história natural ainda não foram bem esclarecidos.

fig 1. deformidade clinica



Normalmente se indica aguardar a maturidade esquelética para uma correção através de osteotomia associada ou/não a correção de partes moles com ojetivo de se evitar uma recidiva.

Antes da decisão cirurgica, exames radiológicos devem ser realizados e medições feitas através do ângulo intermetatarsiano, ângulo de halux valgus, ângulo da superficie articular do primeiro meta-cuneiforme e a proporção de comprimento entre o primeiro e segundo meta.

fig 2. ângulo intermetatarsiano, ângulo de halux valgus, ângulo da superficie articular do primeiro meta-cuneiforme



fig 3. proporção de comprimento entre o primeiro e segundo meta



Estudos demonstram que acima de 40% dos adultos com halux valgus ja apresentavam queixas na juventude. A incidência acima de 85% em meninas e a presença de história familiar sugere um componente hereditário na etiologia do HVJ.

A associação de HVJ com pés planos, encurtamentos de gastrocnêmio, hipermobilidade do primeiro raio e frouxidão ligamentar generalizada sugerem também que sua causa pode estar associada a uma carga anormal durante o ciclo da marcha.

Apesar da falta de estudos que comprovem é largamente aceito que HVJ é progressivo, pricipalmente durante os anos de crescimento.

Uma estratégia de tratamento durante o crescimento é a hemiepifisiodese do primeiro metatarso, cirugia minimamente invasiva que não altera a mobilidade articular. A idade ideal é entre os 09 aos 11 anos na menina.

fig 4. pós op imediato a hemiepifisiodese do primeiro meta.



fig 5. resultado final.



A correção através de partes moles e osteotomias para a correção do HVJ é reservada para casos após a parada de crescimento ou em casos de deformidade residual após a hemiepifisiodese.

fig 6 e 7. técnica de correção através de osteotomia distal do primeiro meta.