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quinta-feira, 18 de março de 2010

Ginástica para bebês


Está certo que a prática de atividades físicas faz bem à saúde e deve ser feita desde criança, mas começá-las logo após seis semanas de vida parece algo estranho para muita gente.

Não para o método americano My Gym, criado por psicomotricistas, pedagogos, psicólogos e instrutores físicos, que tem como objetivo estimular as habilidades físicas, cognitivas e emocionais de crianças até os 13 anos de idade.

Para os bebezinhos, a intenção é aproximá-lo ainda mais da mãe através de simples exercícios, uma forma do seu desenvolvimento físico e emocional ser o melhor possível.

À medida que crescem, bebês e crianças mudam de turma e fazem novas atividades, mas sempre respeitando os limites de cada uma. Conforme Thais Japequino, diretora executiva formada no método My Gym, a criança precisa ser estimulada por meio de atividades divertidas que ela reconheça para que haja interesse, sempre com um propósito para ajudar no desenvolvimento global.

Entre os benefícios, Thais cita o aumento da resistência física, equilíbrio, coordenação e habilidades motoras que resultam na consciência corporal, trabalho em equipe e habilidades esportivas. O método contribui para que a criança tenha um alto nível de confiança e autoestima e se torne um adolescente seguro. "Uma criança que se reconhece e se sente bem sobre ela mesma terá um grande salto em seu desenvolvimento físico e intelectual", afirma Thais.

"É importante entender o limite e fazer com que eles se desenvolvam brincando com prazer. Quando colocamos uma criança na barra, por exemplo, observamos a idade para decidir sua espessura, e assim trabalhar a coordenação motora fina ou grossa, adequadamente", explica. Para ela, uma criança pequena que não tenha sido estimulada em trabalhar a coordenação fina, terá dificuldades na hora que entrar na escola e tiver que pegar um lápis para escrever. "Se a criança não refinou esta coordenação, terá dificuldade em manipular um lápis e, conseqüentemente, levará mais tempo para ter destreza no movimento e uma letra legível", enfatiza.


Todas as aulas têm duração de uma hora. Exceto as turmas Fraldinhas e Pequeninos, que possuem 45 minutos. As mãe acompanham as crianças até completarem três anos e três meses. Para o desenvolvimento ideal, a empresa aconselha a participação das crianças em pelo menos um semestre, com duas aulas semanais. O custo vai de R$ 159,00 a R$ 400,00, dependendo do plano escolhido. A academia tem unidades em São Paulo, Goiânia, São Bernarndo do Campo e Belo Horizonte.

Independente da modalidade escolhida, seja em uma academia especializado ou não, é fundamental que os pais não façam da prática de atividades uma exigência. "Caso contrário, elas viram um peso. As crianças não devem ser sobrecarregadas de exercícios enquanto as cartilagens de crescimento estão abertas. Nas meninas, as principais cartilagens (joelhos, quadril e punhos) começam a se fechar após a primeira menstruação. Já nos garotos, o processo ocorre por volta dos 16 anos", explica Miguel Akkari, membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia Pediátrica e ortopedista do Instituto Saúde Plena.

Confira como é a divisão das turmas para os pequenos:

Fraldinha (Little Bundles) - 6 semanas a 6 meses
Por meio de exercícios simples, canções, danças e um seguro sistema de balanços, aprendem novas habilidades que incentivam seu desenvolvimento físico, emocional, social e de progresso intelectual.
Pequeninos (Tiny Tikes) - 7 a 13 meses
Esta categoria destina-se a ajudar o bebê a descobrir as suas habilidades físicas naturais e simultaneamente reforçar o desenvolvimento cognitivo.
Mini Pingüins (Waddlers) - 14 a 22 meses
Os "Mini Pingüins" são introduzidos aos movimentos pré- acrobáticos e exercícios de agilidade.Balanços, aventuras e exploração nos brinquedos da My Gym acrescentam emoção ao exercício.
Ginastinhas (Gymsters) - 23 meses a 2½ anos
Os destaques do programa são os exercícios de equilíbrio, de segurar/agarrar, acrobacias e agilidades. A participação dos pais nas canções, danças e jogos encorajam uma atitude positiva de boa forma nos pequenos.

Por Juliana Lopes

quinta-feira, 4 de março de 2010

Órteses na Paralisia Cerebral



Órteses são frequentemente utilizadas para a melhora da marcha na paralisia cerebral (pc). A decisão clinica requer um entendimento da biomecãnica do pé e tornozelo durante a marcha normal, assim como a fisiologia e mecânica patológica da função anormal na criança com pc.

A criança em desenvolvimento necessita de uma órtese nova a cada 12 ou 18 meses.
O uso incorreto na indicação da órtese pode levar a uma má função da marcha. Isso pode acarretar uma frustação por parte da criança, da familia e dos terapeutas.

Em crianças com menos de 6 anos, com quadros neurológicos leves, os pés tendem a serem mais flexíveis e facilmente corrigidos através de manipulações. A medida que a criança cresce, deformidades se tornam fixas com encurtamentos tendinosos associados, podendo então a partir deste momento desenvolver deformidades ósseas. Assim este mal alinhamento se torna cada vez mais estruturado e rigido.

fig 2 - AFO rigido



As órteses mais indicadas na clinica são: órtese tornozelo-pé rigida ( AFO ), órtese tornozelo-pé articulada, órtese tornozelo-pé com reação ao solo. Uma opção de menor custo e melhor manuseio para as órteses articuladas são os AFO´s dinâmicos. Não apresentam dobradiças na articulação dos tornozelos mas são mais finos nessa região que as rígidas e com isso permitem um certo grau de movimentação.
As indicaões de uso se baseiam também em outras deformidades normalmente associadas nos membros inferiores.

fig 3 - órtese AFO articulada



Os AFOs articulados tendem a serem indicados de uma forma mais frequentes que os rigidos mas nem sempre é o método ideal. Para boa performace necessitam de ao menos 5 graus de dorsoflexão ao exame fisico dos tornozelos e pés relativamente flexíveis.

fig 4 - órtese AFO dinâmica



A correta indicação decorre também da avaliação de joelhos e quadris. Quando existe uma conratura em flexo associados de joelhos com défict de extensão as órteses de reação ao solo podem ser a melhor indicação.

fig 5 - órtese AFO de reação ao solo

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Polegar em Gatilho na criança.

Autor: Dr Celso B. Rizzi Jr.

Introdução:

Bloqueio doloroso do polegar é uma patologia comum que pode interferir com a função da mão e na performace de rotinas diárias da criança. Historicamente essa condição é chamada de Polegar em Gatilho Congênito quando ocorre na criança. Entretanto, evidencias recentes demonstram que normalmente ocorre algum tempo após o nascimento, e é mais apropiado que seja chamado de Polegar em Gatilho Infantil.

Entre 1994 e 2004, Li e colegas trataram 7 crianças com Polegar em Gatilho através da liberação cirurgica da primeira polia. As crianças tinham em média 46 meses de idade, sendo a menor com 2 anos e 2 meses. Todas as crianças retornaram para suas atividades normais, sem limitação ou dor. Nenhum paciente teve a recorrência da doença.

Em um estudo de 93 Polegares em Gatilho, Chao e colaboradores compararam os resultados entre a liberação percutânea com a injeção de esteróides na polia. Após 12 meses, 44 dos 46 tratados cirurgicamente apresentavam resultados satisfatórios,sendo que apenas 12 dos 47 tratados com injeção otiveram resultados satisfatórios.

Patologia:

Polegar em Gatilho ocorre de forma idiopática. O papel da hiperatividade e do trauma no Polegar em Gatilho é controverso, já que não existe uma predileção pela mão dominante em sua ocorrência.

Normalmente, ocorre após edema no tendão flexor ao nível da articulação metacarpo-falangeana, ao nível da polia A1. A formação do nódulo limita o movimento do tendão dentro da sua própia bainha, bloqueando sua extensão.

Apresentação

Crianças com Polegar em Gatilho raramente queixam-se de dor. Normalmente são trazidos ao consultório em uma idade entre 1 e 4 anos demonstrando uma postura em flexão da falange distal do polegar. Em alguns casos podemos ter a ocorrência bilateral.

fig 1: tratamento cirúrgico simples da abertura da Polia A1, as setas demonstram a proximidade do feixe vásculo-nervoso.



Tratamento

Estudos recentes demosntram que em até 50% dos casos pediátricos podem se resolver sem cirurgia, com cura espontânea. Os pais devem participar dessa decisão, entre aguardar ou a liberação cirúrgica da polia de forma precoce.


References
1. De Smet L, Steenwerckx A, Van Ransbeeck H. The so-called congenital trigger digit: further experience. Acta Orthop Belg. Sep 1998;64(3):306-8. [Medline].
2. Li Z, Wiesler ER, Smith BP, Koman LA. Surgical Treatment of Pediatric Trigger Thumb with Metacarpophalangeal Hyperextension Laxity. Hand (N Y). Sep 1 2009;[Medline].
3. Chao M, Wu S, Yan T. The effect of miniscalpel-needle versus steroid injection for trigger thumb release. J Hand Surg Eur Vol. Aug 2009;34(4):522-5. [Medline].
4. Lange-Rieß D, Schuh R, Hönle W, Schuh A. Long-term results of surgical release of trigger finger and trigger thumb in adults. Arch Orthop Trauma Surg. Jan 6 2009;[Medline].
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9. Peters-Veluthamaningal C, van der Windt DA, Winters JC, Meyboom-de Jong B. Corticosteroid injection for trigger finger in adults. Cochrane Database Syst Rev. Jan 21 2009;CD005617. [Medline].
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11. Rozental TD, Zurakowski D, Blazar PE. Trigger finger: prognostic indicators of recurrence following corticosteroid injection. J Bone Joint Surg Am. Aug 2008;90(8):1665-72. [Medline].
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13. Baek GH, Kim JH, Chung MS, Kang SB, Lee YH, Gong HS. The natural history of pediatric trigger thumb. J Bone Joint Surg Am. May/2008;90:980-5.
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16. Turowski GA, Zdankiewicz PD, Thomson JG. The results of surgical treatment of trigger finger. J Hand Surg [Am]. Jan 1997;22(1):145-9. [Medline].
17. Schramm JM, Nguyen M, Wongworawat MD. The safety of percutaneous trigger finger release. Hand. Mar 2008;3(1):44-6. [Medline].

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Prevenção de deficiências

autor: Dr Antônio Carlos Fernandes
Mestre em Ortopedia e Traumatologia (UNIFESP)
Fellowship em Ortopedia Pediátrica (Children's Memorial Hospital - Chicago)
Diretor Clínico da AACD (2000-2009)
Superintendente Técnico do Hospital Abreu Sodré (AACD) - São Paulo


A prevenção adequada pode evitar que milhares de pessoas
tornem-se portadoras de deficiência física. Analisada sob este
aspecto, a questão deveria merecer mais atenção por parte de todos
os setores de nossa sociedade.

A paralisia cerebral é a doença mais freqüente na AACD,
correspondendo a cerca de 45% de nossos pacientes. Corresponde a
uma lesão cerebral ocorrida previamente, que promove seqüelas
motoras, visuais, cognitivas ou outras, dependendo do local cerebral
acometido. Muitos pacientes têm um acometimento de vários órgãos e
sistemas do organismo, tornando o tratamento bastante complexo,
necessitando de uma equipe multidisciplinar competente. Numa
amostra de 6.007 pacientes da AACD, cerca de 2.100 (35%) são
paraparéticos e 1.700 (28%) tetraparéticos. Há, ainda os
hemiparéticos, portadores de retardo psicomotor, atetóides (pessoas
que não controlam certos movimentos) e atáxicos (aqueles que não
têm coordenação dos movimentos musculares voluntários).

A prevenção da paralisia cerebral deve começar antes do
nascimento da criança, através do pré-natal bem conduzido e iniciado
precocemente. É importante a observância de nutrição adequada por
parte da gestante, a verificação da compatibilidade sanguínea (fator
Rh), o diagnóstico precoce de alterações uterinas e exames para
diagnosticar e tratar doenças como diabetes e hipertensão arterial.
Também é fundamental a abstinência de álcool e drogas. Os cuidados
devem continuar no momento do nascimento, com o estímulo para
parto normal, boas condições hospitalares e a presença de um médico
pediatra no momento do parto, para oferecer os cuidados necessários
ao recém-nascido.

A prevenção de problemas deve prosseguir após o nascimento,
através de cuidados adequados aos recém-nascidos de baixo peso,
para diminuição dos riscos de asfixia e distúrbios metabólicos, causas
de convulsões e outras complicações. Recém-nascidos que
apresentam convulsões têm chances três vezes maior de desenvolver
paralisia cerebral. A paralisia cerebral manifesta-se em cerca de
10,1% das crianças que apresentaram convulsões. Os cuidados
preventivos devem ser ainda maiores nos bebês prematuros. Para
todos os bebês é muito importante o aleitamento materno, puericultura
adequada, vacinações e o combate às infecções, lembrando que 33%
dos casos de paralisa cerebral ocorrem após o nascimento.

A lesão medular é outra causa grave de deficiência física, sendo
responsável por 12% dos pacientes em tratamento na AACD. Quando
ocorre um dano na medula espinhal desenvolve-se um quadro
paralítico, que acomete vários órgãos do organismo.A paraplegia é a
lesão mais freqüente, com 65,8% dos casos. Este trabalho evidenciou
que as armas de fogo, num reflexo da violência e da criminalidade no
Brasil, são as maiores vilãs desta estatística, representando 40,5%
dos casos de lesão medular. Os acidentes de trânsito vêm em
segundo lugar, com 34,2%. São na maioria adultos jovens em plena
capacidade de trabalho, a maioria chefes de família que têm a sua
vida grandemente modificada pela lesão medular, necessitando de
tratamentos prolongados de reabilitação e muitas adaptações para a
reintegração social.

Em ambos os segmentos, são necessárias políticas públicas
mais adequadas, a começar pela educação, inclusão social e combate
mais eficaz ao problema agudo. No primeiro caso, exige-se ação
eficiente de combate à pobreza, segurança pública adequada e
melhoria das condições sociais da nossa população. No tocante ao
trânsito, é preciso prover socorro mais ágil e profissional aos
acidentados, estimular o uso do cinto de segurança inclusive no banco
traseiro, combater com veemência o consumo de álcool e drogas
pelos motoristas e agregar equipamentos de segurança à frota
nacional. É o caso da presença, em todos os veículos novos do air
bag e de freios de alta performance, que poderiam ser viabilizados
com a isenção total ou parcial de impostos para estes opcionais, que
passariam a ser itens de série.

Os atropelamentos são causadores de 31,7% dos casos de
traumatismo crânio-encefálico infantil. Nestes casos, a prevenção
inclui medidas educativas, mais atenção de motoristas, orientação
específica para crianças em idade escolar e uma melhor adequação
tecnológica dos veículos. Um dado preocupante: em 30% dos
atropelamentos ocorre o óbito. Outros 22,5% dos casos são
provocados por quedas de altura. Na periferia das grandes cidades,
muitas crianças brincam sobre as lajes de moradias, empinando pipas
ou jogando bola, tornando-se muito susceptíveis à quedas com
conseqüente traumatismo. Além do traumatismo crânio-encefálico,
outra causa recorrente de lesão encefálica adquirida infantil é a anóxia
(falta de oxigênio no cérebro). Dentre estes casos, 34,7% são
provocados por afogamento em praias, piscinas ou locais inadequados
para natação.

A mielomeningocele é outra causa de deficiência física,
responsável por 7% dos nossos atendimentos. É uma malformação
congênita do sistema nervoso, que acomete uma a cada mil crianças
nascidas e que provoca paralisia nos membros inferiores, bexiga e
intestino. Cerca de 90% destas crianças também são acometidas de
hidrocefalia, tornando o tratamento ainda mais complexo. No campo
da prevenção, deve ser citada a luta vitoriosa da AACD pela adição de
ácido fólico (vitamina B9) às farinhas de milho e trigo, essencial à
prevenção. A medida, defendida no plano científico e em intensa
mobilização cívica, é hoje uma realidade em nosso país, após
publicação da Resolução 344/2002 pela ANVISA. A prevenção a esta
grave doença paralítica, contudo, também inclui os cuidados
adequados com a condição materna. É particularmente importante
acompanhar atentamente mulheres em idade fértil portadoras de
crises convulsivas, diarréias e infecções crônicas.

Analisando todas as causas das deficiências físicas, conclui-se
que não podemos mais nos resignar diante da prevenção incipiente
em nosso país. Políticas públicas articuladas, com a participação da
sociedade, entidades de classe e organizações não governamentais,
são imprescindíveis para reduzir a incidência do problema. Devemos
trabalhar muito pela saúde, harmonia e inclusão social, redução da
violência e de outros fatores, da negligência à miséria, que atentam
contra a sanidade física e psicológica das pessoas. Tratar custa muito
mais do que prevenir.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Pé doloroso na infância

autores:
Aline Teixeira Ribeiro de Oliveira
Médica do Centro de Cirurgia de Pé e Tornozelo do INTO
Sergio Vianna
Chefe do Centro de Pé e Tornozelo do INTO


O atendimento de crianças com dor no pé é uma
eventualidade comum. Existem entidades bem definidas
que devem ser consideradas quando examinamos
uma criança com pé doloroso. É muito importante
localizar o sítio da dor tão acuradamente quanto
possível, desde que certas condições ocorram em locais
específicos.

Dor no calcanhar

Com frequência, crianças de 7 a 13 anos queixam-se
de dor no aspecto posterior do calcanhar, particularmente
após atividade física. Existe dor à pressão sobre
a apófise do calcâneo e, por vezes, claudicação. Em
60% dos pacientes, a queixa é bilateral. Esse quadro
foi, durante anos, atribuído a uma hipotética osteonecrose
da epífise do calcâneo, descrita por Haglund, em
1902, e por Sever em 1912. A expressão radiográfica
da doença de Sever foi, por muito tempo, o aumento
da densidade e a fragmentação da apófise do calcâneo.

Ferguson e Gingrich, em 1957, analisaram as radiografias
de cem crianças. Verificaram que a apófise do calcâneo
aparece, em média, nos meninos aos 7,9 anos e nas
meninas aos 5,6 anos. E mais, que durante dois a três anos
após o aparecimento, pode permanecer com ossificação
irregular, sem aumento da densidade. Uma vez que ocupe
mais do que a metade da superfície posterior do calcâneo,
torna-se mais densa que o osso adjacente. Fendas
podem dividir a apófise em dois ou três segmentos. Em
torno dos 16 anos, a epífise incorpora-se à tuberosidade.
A apofisite do calcâneo passou a ser enquadrada
como síndrome de overuse – semelhante à doença de
Osgood-Schlatter, decorrente da tensão reiterada do
tendão-de-aquiles sobre a apófise do calcâneo.
No diagnóstico diferencial, cabe chamar
atenção para a bursite retrocalcaneana, geralmente observada
nos meninos abaixo dos 10 anos de idade. A dor
no calcanhar pode ocorrer após salto de altura, com contusão
do coxim gorduroso e, às vezes, penetração inadvertida
de corpo estranho.
Vale lembrar que a osteomielite de calcâneo, embora
rara, está relatada, podendo gerar confusão com a apofisite
até que surja a lesão osteolítica.
O osteoma osteoide deve ser sempre considerado
quando investigamos a causa de dor persistente e
intrigante.
A apofisite regride em média após 10 semanas, requerendo
restrição de atividades físicas e exercícios de
alongamento do tríceps, quando necessário, elevação do
calcanhar e, excepcionalmente nos casos de sintomatolo-


Coalizão tarsal

A dor relacionada com as coalizões tarsais tem início
usualmente insidioso, podendo entretanto ser precipitado
pelo trauma.
Parece que os sintomas ocorrem após a ossificação,
que na barra calcaneonavicular ocorre entre 8 e 12 anos e,
na barra talocalcaneana, entre 12 e 16 anos.
Na maioria dos pacientes, existe restrição na mobilidade
da subtalar. A retração dos fibulares também pode ser observada.
As coalizões não são necessariamente acompanhadas
de pé plano. Persiste ainda uma questão: por que um pé
torna-se sintomático e outro não?
A radiografia simples, incluindo a incidência oblíqua, é
suficiente para o diagnóstico da barra calcaneonavicular,
mas a tomografia computadorizada (TC) é imprescindível
no planejamento terapêutico.

Doença de Köhler

A doença de Köhler é uma síndrome clínica com dor,
edema na área do navicular e, às vezes, claudicação durante
o período em que o navicular está se ossificando.
Dos estudos de Karp, sabemos que, quando o núcleo
de ossificação do navicular aparece tardiamente, o seu
contorno é irregular, achatado ou fragmentado e com
densidade aumentada.
Dessa forma, o quadro radiográfico só tem a expressão
de necrose acompanhado dos comemorativos clínicos.
O tratamento é feito com bota gessada até que o
paciente se torne assintomático. A evolução é sempre
satisfatória; nos pacientes seguidos por mais de 10 anos, a
recuperação radiográfica foi completa.
Navicular acessório
O navicular acessório desenvolve-se durante o segundo
mês de vida fetal, ossificando-se entre 9 e 11 anos de
idade.
Existem três tipos: o tipo I é o tipo ervilha, que se encontra
dentro da substância do tendão tibial posterior, o
tipo II é conectado à tuberosidade por tecido fibroso ou
cartilaginoso e o tipo III tem a tuberosidade proeminente,
podendo corresponder à evolução do tipo II após fusão.
O paciente refere dor no aspecto medial do pé, sobre
o navicular (proeminente).
Nos casos que resistem às medidas conservadoras,
pode estar indicado o tratamento cirúrgico. Existe discussão
na literatura entre os que indicam o procedimento
de Kidner, que, além de excisar o navicular acessório,
promove o retencionamento do tibial posterior, e os que
preconizam a ressecção simples do osso acessório.

Doença de Freiberg

A osteonecrose da cabeça do segundo metatarsiano
pode ocorrer e é, provavelmente, uma infração da
cabeça do metatarsiano. É mais comum no sexo feminino
e ocorre geralmente em pessoas acima dos 13
anos.

Hálux rígido

Frequentemente, o hálux rígido decorre de traumatismo
no hálux. Segundo Lambrinudi, pode estar associado à
elevação do primeiro metatarso.
Pode ser de difícil tratamento. Se o tratamento conservador
falha, a osteotomia de extensão da base da falange
proximal dá bons resultado.

Metatarsalgia

Para finalizar, lembramos que a metatarsalgia é incomum
nas crianças, a menos que exista garra intensa
dos dedos, quando se indica uma palmilha ou até mesmo cirurgia.

sábado, 2 de janeiro de 2010

O que é a Artrite Idiopática Juvenil?

O que é a Artrite Idiopática Juvenil?

A Artrite Idiopática Juvenil, também denominada Artrite Reumatóide Juvenil, é uma doença inflamatória crônica que acomete as articulações e outros órgãos, como a pele, os olhos e o coração. A principal manifestação clínica é a artrite, caracterizada por dor, aumento de volume e de temperatura de uma ou mais articulações. Cabe ressaltar que em algumas crianças a dor é mínima ou até mesmo inexistente. Caracteristicamente ela inicia sempre antes dos 17 anos de idade.



É uma doença freqüente?

A incidência da Artrite Idiopática Juvenil é desconhecida em nosso país, mas dados provenientes de países da América do Norte e da Europa indicam que cerca de 0,1 a 1 em cada 1.000 crianças têm essa doença.

O que causa a Artrite Idiopática Juvenil?

A causa exata da Artrite Idiopática Juvenil ainda não é conhecida. Fatores imunológicos, genéticos e infecciosos estão envolvidos. Estudos recentes mostram que existe uma certa tendência familiar e que alguns fatores externos, como certas infecções virais e bacterianas, o estresse emocional e os traumatismos articulares podem atuar como desencadeantes da doença.
A artrite não é uma doença infecto-contagiosa e os pacientes podem (e devem) freqüentar normalmente creches, escolas, clubes e piscinas.

Como se diagnostica a doença?

O diagnóstico da Artrite Idiopática Juvenil é clínico e baseia-se na presença de artrite em uma ou mais articulações com duração igual ou maior a 6 semanas. Várias doenças, como por exemplo, as infecções, devem ser pesquisadas e descartadas, uma vez que a artrite é manifestação comum em várias doenças não reumáticas. Além da dor e da inflamação articular pode ser observada uma certa dificuldade na movimentação ao acordar (rigidez matinal), fraqueza ou incapacidade na mobilização das articulações, além de febre alta diária (> 39º C) por períodos maiores do que 2 semanas. Não existem exames laboratoriais específicos para esta doença. Nos casos de dúvida diagnóstica a opinião de um especialista pode ser de grande auxílio.

Quais os tipos mais comuns de Artrite Idiopática Juvenil?

Existem 3 tipos mais comuns: pauciarticular (ou oligoarticular), poliarticular e sistêmico.
No tipo pauciarticular são acometidas até 4 articulações, sendo os joelhos e os tornozelos as mais freqüentes. Crianças com este tipo de doença devem fazer avaliações oftalmológicas freqüentes (a cada 3 ou 4 meses), uma vez que a úvea (o colorido dos olhos) pode estar inflamada sem que haja qualquer sinal visível. No tipo poliarticular 5 ou mais articulações são envolvidas, com destaque para os joelhos, tornozelos, punhos, cotovelos e pequenas articulações das mãos e dos pés. Pode haver febre intermitente e o exame laboratorial Fator Reumatóide está presente em cerca de 10% dos pacientes. O tipo sistêmico tem caráter insidioso e caracteriza-se pela presença de artrite associada à febre alta em um ou dois picos diários (= 39º C), erupção na pele (rash cutâneo), gânglios, serosite (inflamação da pleura e do pericárdio) e aumento de fígado e baço ao exame clínico.
Alguns pacientes, especialmente aqueles com o tipo pauciarticular e com fator antinúcleo (FAN) positivo, podem apresentar uveíte crônica, ou seja, uma inflamação em um ou nos dois olhos. A uveíte é, geralmente, assintomática e podem ser observadas complicações como glaucoma, catarata e até mesmo diminuição da visão, especialmente quando o diagnóstico é tardio. Daí a importância da detecção precoce através de exames oftalmológicos periódicos (biomicroscopia), a cada 3 ou 4 meses. A uveíte pode aparecer antes, simultaneamente ou anos depois da atrite.

Qual o tratamento da Artrite Idiopática Juvenil?

Uma boa relação entre médico, paciente e familiares é fundamental para que o tratamento tenha sucesso, uma vez que a sua duração é prolongada. Deve ser individualizado e envolve educação sobre a doença, controle da inflamação e da dor através do uso de medicamentos e prevenção de deformidades. A reabilitação (fisioterapia) é muito importante desde as fases iniciais da doença e em alguns casos pode ser necessário o acompanhamento psicológico. O início do tratamento deve ser precoce; nos casos de demora pode haver comprometimento da cartilagem articular, acarretando deformidades e limitações físicas irreversíveis.
Cada tipo de Artrite Idiopática Juvenil tem um tratamento específico e o esquema terapêutico pode variar de um paciente para o outro, de acordo com as suas manifestações clínicas. Os medicamentos utilizados inicialmente são os antiinflamatórios não-hormonais (aspirina, naproxeno e ibuprofeno), úteis no alívio da dor.
Outros remédios, chamados drogas de base (ou de segunda linha), são acrescentados gradualmente nos casos de inflamação persistente, ou seja, má resposta aos antiinflamatórios não-hormonais e visam controlar e até mesmo cessar a inflamação. Os mais utilizados são a hidroxicloroquina (ou o difosfato de cloroquina), a sulfassalazina e o metotrexato.
Em muitos pacientes a doença é controlada até o final da adolescência. No entanto, alguns podem apresentar doença crônica com períodos de melhora e piora que persistem até vida adulta. Nestes casos deve ser feita uma transição lenta para o Reumatologista de adultos. Muitos adolescentes são "rebeldes" ao tratamento e devem ser conscientizados quanto à importância do uso contínuo de medicamentos. A responsabilidade, que sempre é dos pais ou responsáveis até os 18 anos de idade, deve ser transferida gradualmente ao paciente de maneira firme e segura.

O que pode acontecer se o tratamento for interrompido?

A interrupção do tratamento sem orientação médica pode ter conseqüências sérias e irreversíveis, como piora da inflamação, deformidades articulares irreversíveis, destruição da cartilagem e piora da capacidade física. Os pais devem checar a ingestão dos medicamentos e conversar com os filhos sobre a doença, reforçando a importância do tratamento, especialmente nos casos de pacientes adolescentes.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Avaliação inicial do uso das Hastes Telescópicas – Fassier-Duval em pacientes com Osteogênese Imperfecta

Dr Celso Rizzi.

Objetivos
Avaliar resultados iniciais do uso das hastes telescópicas Fassier Duval em pacientes portadores de Osteogênese Imperfecta que foram operadas pelo autor em clínica privada.

Métodos
Foram instaladas 16 hastes, sendo 11 no fêmur e 05 na tibia.
Em 08 pacientes, sendo 07 portadores de OI e um portador de Pseudo-artrose Congênita de Tibia. ( não incluído )
Eram 05 do sexo feminino e 03 do masculino.
01 do grupo I, 03 do grupo III e 03 do grupo IV
Idade média inicial dos pacientes na primeira cirurgia:
4,2 anos ( 2 a 11 anos ).
Hospitais utilizados:
10 cirurgias no H. Prontobaby.
05 cirurgias no H. Copa D´Or.
02 cirurgias no H. Tijutrauma.

fig 1 e 2: fratura recidivada do fêmur esquerdo e fixação inicial





Resultados
Tempo médio de acompanhamento 2 anos e 6 meses.
Consolidação óssea em todos os casos.
Complicações: 04
Soltura rosca proximal – 02
Necessidade de reposicionamento.
Infecção superficial – 01
Antibiótico oral e retirada posterior da haste.
Alinhamento em Valgo – 01
Resolução pelo crescimento do fêmur.

fig 3. resultado radiológico a esquerda com 18 meses de evolução



Conclusão
Método eficaz, com complicações minimas pela grandeza do procedimento cirurgico realizado.
Sem fraturas em sitios onde a haste foi instalada.

fig 4: Resultado clinico final após cirurgia em ambos os femures

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Fratura do Anel Pélvico na criança.

Caso clínico INTO - Dr João Matheus e Celso Rizzi.

Fraturas pélvicas em crianças são incomuns, sendo estimadas em 1:100.000 nos EUA. A maioria das fraturas pélvica instáveis é resultado de um trauma de grande energia e geralmente estão relacionadas com atropelamento por veículos automotores.

fig 1 e 2: menor de 8 anos, fratura do anel pélvico com luxação sacro-ilíaca a esquerda. sem quadro associado de trauma abdominal ou encefálico.





Entre esses relatos, encontramos apenas 5% em que essas fraturas estão associadas à disjunção da sínfise púbica ou da articulação sacroilíaca. Devemos lembrar-nos de que 75% das crianças com fraturas pélvicas têm outras lesões em outras estruturas anatômicas.

As indicações para o tratamento de pacientes com fraturas pélvicas variam de autor para autor. Autores indicam tratamento cirúrgico com fixação, quando há deformidade associada à instabilidade pélvica, quando a laparotomia for realizada primariamente ou em fraturas abertas.

fig 3: tratamento cirúrgico através da fixação percutânea da sacro-ilíaca associada a fixação externa temporária.



A abertura do anel pélvico com sinais de choque hipovolêmico e a luxação do quadril constituem emergências ortopédicas, devendo ser tratadas primariamente, e só após a estabilização do anel pélvico a laparotomia poderia ter sido realizada.

fig 4: resultado radiológico final.

sábado, 10 de outubro de 2009

Tratamento das dismetrias de comprimento dos membros inferiores através da epifisiodese

Em dismetrias entre 2cm e 5cm em crianças, a equalização através da epifisiodese é uma opção que atrai pela sua simplicidade, rápida reintegração do paciente, aspecto estético e eficácia.

Blount descreveu uma epifisiodese temporária através de grampos que, após retirados, permitiram o retorno do crescimento dessa placa. Bowen & Johnson, em 1984, descreveram a técnica de epifisiodese percutânea, mais simples e de melhor aspecto estético. Hoje utilizamos uma técnica simples e com poucas complicações que é o uso da placa em 8, incorporando a técnica percutânea e a de Blount.

fig 1: caso de um paciente com dismetria de 2,7 cm



Há algumas desvantagens deste tratamento, como o fato de geralmente ser realizado no membro normal, diminuir a estatura final do paciente e não ser de efeito imediato. A epifisiodese é um método descrito há mais de 60 anos com vários trabalhos abordando-a e mostrando seus bons resultados.

fig 2: aplicação da placa em 8.



A menor estatura final que o método acarreta pode ser um limitante de sua indicação. Deve ser projetada a altura final e discutida com o paciente e os responsáveis. A experiência demonstra que em poucas vezes esse fator isoladamente vai impedir sua indicação.

A epifisiodese é um tratamento simples, de curta hospitalização, baixo custo, baixo número de complicações, efetivo e de excelente aspecto estético, que permanece como tratamento de escolha para as discrepâncias dos membros inferiores de menos de 5cm no paciente em crescimento.

sábado, 19 de setembro de 2009

Polidactila - Dedos extra numerários

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

A polidactilia ou polidatilia (do grego πολύς, "muitos" e δάκτυλος "dedo") é uma anomalia causada pela manifestação de um alelo autossômico dominante com penetrância incompleta, consistindo na alteração quantitativa anormal dos dedos da mão (quirodáctilos) ou dos dedos do pé (pododáctilos).

Há uma variação muito grande na expressão dessa característica, desde a presença de um dedo extra, completamente desenvolvido, até a de uma simples profusão carnosa.

fig 1- Polidactilia pós-axial



Tipos de polidactilia

1- Polidactilia pós-axial

Ocorre do lado cubital (ulnar) da mão ou do lado peroneal (lateral) do pé. É a que possui tem herança autossômica dominante com penetrância incompleta, porém alta, e é cerca de 10 vezes mais freqüente em negros do que em caucasóides.

2- Polidactilia pré-axial

Ocore do lado radial da mão ou tibial [medial] do pé. Compreende vários tipos de defeitos (polidactilia do polegar, polidactilia do dedo indicador, polissindactilia, etc).

fig 2- Exame radiológico



Herança genética

Por ser um gene dominante, há 50% de probabilidade de passar para o filho (caso seja genes heterozigotos Aa), ou até mesmo 100% (caso seja genes homozigotos dominantes AA).

Tratamento

Apesar de ser uma anomalia, e muitas vezes trazer espanto, a polidactilia não costuma causar problemas a quem possui. A remoção cirúrgica é o único tratamento, de simples resolução.

fig 3- Resultado cirúrgico pós-operatório inicial.