Resumo:
Objetivo: O objetivo de nosso estudo foi o de
avaliar as possíveis diferenças no tempo cirúrgico e na qualidade do
posicionamento do parafuso canulado
durante a fixação “in situ” para o tratamento cirurgico dos pacientes
portadores de epifisiólise proximal do fêmur, que tenham sido fixados ou sobre
a mesa ortopédica convecional ou em mesa radiotransparente. Métodos: Foram
avaliados um total de 60 procedimentos, realizados em 50 pacientes no serviço
de Ortopedia Pediátrica do INTO/HTO Rj no período entre Janeiro de 1997 a
Fevereiro de 2005, sendo 29 ( 58 % ) deles tratados sobre mesa ortopédica e 21(
42 % ) sobre mesa radiotransparente. Resultados: O
tempo total médio de sala operatória dos procedimentos realizados sobre a mesa
ortopédica foi de 76,5 min ( 30 – 165 min) e sobre a mesa radiotransparente foi de 49,5 min ( 20
– 155 min). Conclusões:O tempo total de sala
operatória nos procedimentos realizados sobre a mesa ortopédica mostrou-se
superior quando comparado àqueles sobre a mesa radiotransparente, porém não se
verificou diferença com relação à sua
eficácia no posicionamento do parafuso, em nenhum dos métodos
utilizados.
O tratamento
cirúrgico é o método de escolha para os pacientes com Escorregamento Epifisário
Proximal do Fêmur. Além de assegurar a fusão fisária, o método é simples,
permite a mobilização precoce e assim reduz o risco de uma condrólise futura.
A
fixação com parafuso único no tratamento do Escorregamento Epifisário Proximal
do Fêmur é praticamente um consenso. Contudo, mediante a disseminação da
técnica, as complicações começaram a surgir, dentre as mais comuns a
Condrólise, a Necrose Avascular e o Sobredeslizamento pós fixação.
A falha na técnica cirúrgica
acaba por resultar em um mal posicionamento do parafuso, podendo levar a um
desarranjo da articulação.
O posicionamento ideal do parafuso é no centro da epífise, perpendicular à
placa fisária e a cerca de 5 mm do osso subcondral com, pelo menos, cinco
roscas do parafuso ultrapassando a fise.
Em busca de assegurar o correto posicionamento do
parafuso, a maioria dos autores prefere a mesa ortopédica por acreditar que
oferece uma imagem biplanar do quadril. Entretanto, ainda que utilizando as
imagens em AP, perfil e Lauenstein existe uma zona da cabeça femoral que não se
consegue visualizar.
Apesar de pouco descrita na literatura, a técnica de
epifisiodese femoral proximal sobre a mesa radiotransparente tem sido preferida
por muitos cirurgiões e mostrou ser mais
rápida sem comprometer o posicionamento do parafuso.
Também em
nossos resultados o ato cirúrgico sobre a mesa radiotransparente mostrou-se
mais rápido, tanto nos procedimentos realizados unilateralmente como,
principalmente, naqueles realizados
bilateralmente. Nesses casos, o tempo de sala operatória dos procedimentos
realizados sobre a mesa ortopédica chegou próximo ao dobro do tempo dos
procedimentos realizados sobre a mesa radiotransparente. Essa diferença de
tempo se reproduziu em todos os graus de escorregamento, porém nos
escorregamentos moderados e graves se mostrou ainda maior. Além disso, a
diferença de tempo verificada em nosso estudo foi maior quando comparada à
obtida no trabalho de Blasier.

Os pacientes operados em mesa ortopédica, em nosso
hospital, foram fixados na posição 1 com maior freqüência em todos os graus de
escorregamento, porém, curiosamente, também obtivemos um maior número de
fixações de parafusos na posição 3, entretanto sem uma diferença estatistica
significativa.
Conclusão
A técnica de epifisiodese femoral proximal
sobre mesa radiotransparente é realizada em menor tempo total de sala
operatória em todos os graus de escorregamento e, principalmente, nos casos
bilaterais tratados em um único procedimento cirúrgico. Entretanto, não
conseguímos determinar os benefícios técnicos desse fato quanto a um melhor
posicionamento do parafuso canulado na epífise proximal do fêmur.
Autores:
Celso Belfort Rizzi Junior
Erico Madureira Slama